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Valor da produção agrícola brasileira bate recorde de R$ 927,2 bilhões


Valor da produção agrícola brasileira bate recorde de R$ 927,2 bilhões
Fonte: IBGE

O valor da produção das principais culturas agrícolas brasileiras alcançou R$ 927,2 bilhões em 2025, maior resultado da série histórica. O montante avançou 18,4% em termos nominais frente a 2024. A produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas também atingiu recorde, com 345,4 milhões de toneladas, alta de 18,2%. O acréscimo somou 53,4 milhões de toneladas. Os dados integram a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2025.

Soja e milho sustentaram grande parte desse crescimento. As duas culturas responderam por 88,7% da produção brasileira de grãos. O desempenho refletiu aumento da produtividade média e expansão das áreas agrícolas. Em 2024, o El Niño prejudicou áreas produtivas do Sul e do Centro-Oeste, com baixa disponibilidade de chuvas em várias regiões e excesso de precipitação no Rio Grande do Sul. O cenário climático apresentou condições mais favoráveis para importantes culturas em 2025.

A área plantada com todas as culturas pesquisadas pela PAM alcançou 101,3 milhões de hectares, avanço de 4,2%, ou 4,1 milhões de hectares. A soja ganhou mais 1,7 milhão de hectares de área colhida. O milho acrescentou 995,2 mil hectares e o sorgo, 203,4 mil hectares. A área colhida total chegou a 100,6 milhões de hectares, alta de 4,4%.

A soja ocupou 47,6 milhões de hectares, equivalentes a 47,3% da área agrícola colhida no país. A produção chegou a 165,3 milhões de toneladas, crescimento de 14,4% sobre 2024. O ganho correspondeu a 20,8 milhões de toneladas. A produtividade avançou 10,3% e a área colhida aumentou 3,7%. A recuperação dos preços também contribuiu para o resultado econômico. A oleaginosa respondeu por 34% do valor total da produção agrícola pesquisada. Seu valor de produção cresceu 21,1%.

O milho registrou 141,2 milhões de toneladas, volume recorde e 23,1% superior ao do ano anterior. Na primeira safra, a área colhida recuou 5,4%, mas a produtividade cresceu 16,6% diante das melhores condições climáticas. A segunda safra ampliou área, produção e rendimento. O volume chegou a 115,4 milhões de toneladas. O valor da produção de milho avançou 38,9% e colocou o cereal na segunda posição entre os produtos agrícolas em geração de valor.

Feijão, trigo e algodão

Feijão e trigo seguiram movimento oposto na ocupação de área. A área colhida de feijão caiu 7,2%. No trigo, a redução atingiu 13,9%. Segundo a pesquisa, os preços pouco atrativos no período de plantio reduziram o interesse dos produtores. No trigo, a produtividade aumentou 21,9% e compensou parte da retração de área. A produção nacional cresceu 4,9%, para 7,88 milhões de toneladas, enquanto o valor da produção caiu 2%.

O algodão herbáceo em caroço alcançou 9,92 milhões de toneladas, alta de 16,4%. A expansão da área colhida, o ganho de rendimento e os preços contribuíram para aumento de 29,5% no valor da produção. Café e algodão mantiveram peso relevante entre as culturas ligadas à pauta exportadora.

Café e arroz

A produção nacional de café somou 3,4 milhões de toneladas, aumento de 3% sobre 2024. O valor da produção cresceu 44,7% e atingiu R$ 100 bilhões. O café arábica respondeu por 2,2 milhões de toneladas, com retração de 6,8%. Seu valor de produção chegou a R$ 71,4 bilhões. O café canephora atingiu 1,2 milhão de toneladas, avanço de 26,8%, e gerou R$ 28,6 bilhões.

No arroz, a produção subiu 18,6% e alcançou 12,6 milhões de toneladas. A área plantada avançou 8% e a produtividade média cresceu 7%. Mesmo com maior volume colhido, o valor da produção caiu 12%. A pesquisa associa o recuo aos preços baixos, às oscilações do mercado internacional e ao aumento da oferta interna.

Análise por regiões

Mato Grosso manteve a liderança entre as unidades da Federação em valor da produção agrícola. O estado registrou crescimento de 37,1% e passou a representar 17,9% do total nacional. O Centro-Oeste também assumiu a primeira posição entre as grandes regiões. O valor regional atingiu R$ 288 bilhões, avanço de 31,8%. O Sudeste ficou na segunda posição, com diferença de R$ 17 bilhões, apesar do crescimento regional de 17,7%.

Entre os municípios, Sapezal, em Mato Grosso, registrou o maior valor de produção agrícola do país, com R$ 8,6 bilhões, alta de 46,6%. O algodão herbáceo respondeu por cerca de R$ 5,1 bilhões desse total. São Desidério, na Bahia, somou R$ 8,2 bilhões. Sorriso, em Mato Grosso, apareceu na terceira posição. Os dez municípios com maiores valores de produção reuniram R$ 65,9 bilhões, equivalentes a 7,1% do valor agrícola nacional.

A PAM 2025 também ampliou o conjunto de produtos investigados. Novas culturas do grupo da horticultura contribuíram com R$ 13,1 bilhões, ou 1,4% do valor total. Na fruticultura, 24 frutas geraram R$ 95,6 bilhões, crescimento de 4,2%. A inclusão de morango, acerola, cupuaçu e graviola acrescentou R$ 5,5 bilhões ao resultado nacional. Sem essas novas frutas, o valor da produção frutícola teria recuado 1,8% na comparação anual.

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