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Ácaro Aponychus schultzi é registrado em chuchu no Rio Grande do Sul


Ácaro Aponychus schultzi é registrado em chuchu no Rio Grande do Sul
doi 10.37486/2675-1305.ec08037

Pesquisadores registraram pela primeira vez o ácaro Aponychus schultzi infestando plantas de chuchu (Sechium edule) no Rio Grande do Sul. A ocorrência foi constatada em Lajeado e amplia a distribuição conhecida da associação entre o ácaro e a cultura no Brasil. Até então, registros em chuchu abrangiam Minas Gerais, São Paulo e Paraná. O estudo também descreveu as lesões foliares associadas à infestação (doi 10.37486/2675-1305.ec08037).

As plantas avaliadas cresciam em uma horta doméstica de agricultura urbana, sem aplicação de pesticidas ou fertilizantes. Os pesquisadores observaram alta infestação. Os ácaros ocupavam várias folhas da planta.

Manchas irregulares

As lesões apresentavam manchas irregulares esbranquiçadas e amareladas na superfície adaxial, correspondente à face superior da folha. Os pesquisadores associaram as áreas esbranquiçadas à possível formação de espaços intercelulares preenchidos por ar. As manchas amareladas indicam oxidação de tecidos e membranas, processo já observado em soja após ataque de Tetranychus ludeni.

A equipe encontrou exemplares de Aponychus schultzi também na face abaxial das folhas. Nessa região, porém, não foram detectadas lesões visíveis. A coleta concentrou-se na superfície adaxial, local com maior presença dos danos observados.

As folhas com sintomas seguiram para o Laboratório de Acarologia da Universidade do Vale do Taquari, Univates. Os pesquisadores coletaram os ácaros sob microscópio estereoscópico. Os exemplares foram montados em lâminas com meio de Hoyer e permaneceram em estufa durante cinco a seis dias para fixação e clarificação.

Microscopia para identificação

A identificação utilizou microscopia de contraste de fase e chaves dicotômicas. A confirmação da espécie tomou como base características morfológicas das fêmeas. Entre os caracteres avaliados apareceram formato e tamanho de determinadas cerdas dorsais, estriações dorsais e número de cerdas táteis e sensoriais das pernas.

Os exemplares apresentaram idiossoma com estriações pouco marcadas e cerdas dorsais inseridas em tubérculos pronunciados. Algumas cerdas exibiram extremidades rombas e formato amplamente espatulado. A equipe também analisou a quetotaxia das pernas e a região anogenital. O conjunto de características coincidiu com os critérios diagnósticos descritos para Aponychus schultzi.

Ocorrência conhecida

O registro amplia o conhecimento sobre a distribuição desse tetraniquídeo em chuchu no País. Aponychus schultzi já possuía ocorrência conhecida no Rio Grande do Sul em mamoeiro, Carica papaya. A nova constatação demonstra sua associação também com Sechium edule no estado.

O gênero Aponychus reúne 20 espécies, segundo as referências usadas no estudo. Cinco possuem registros no Brasil. Antes deste levantamento, o Rio Grande do Sul contava com duas espécies registradas do gênero: Aponychus mauritianum e Aponychus schultzi. Registros brasileiros de Aponychus schultzi também incluem culturas como feijão, hibisco, mamão e mandioca.

O chuchu possui poucos estudos sobre ácaros fitófagos da família Tetranychidae. A literatura citada pelos pesquisadores já apontava associação da cultura com outros ácaros, entre eles Polyphagotarsonemus latus. O novo registro acrescenta informações sobre a acarofauna ligada à cultura e sobre sintomas relacionados à infestação de Aponychus schultzi.

Ácaro predador

Durante as amostragens, os pesquisadores também encontraram o ácaro predador Iphiseiodes saopaulus nas plantas. Espécies de Phytoseiidae apresentam uso no controle de ácaros e pequenos insetos. Integrantes do gênero Iphiseiodes incluem predadores generalistas com capacidade de desenvolvimento e reprodução sobre alguns ácaros fitófagos, inclusive tetraniquídeos.

O estudo não determina, porém, o efeito de Iphiseiodes saopaulus sobre a população de Aponychus schultzi no chuchu. Os pesquisadores indicam a necessidade de novos trabalhos em laboratório e campo para avaliar essa interação ecológica.

O trabalho foi realizado pelos cientistas Julia J. Ferla, Wesley B. Wurlitzer, Julia R. Schneider, Gizele M. Pinheiro e Noeli J. Ferla.

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