
A lecitina derivada de soja apresentou toxicidade rápida por contato contra adultos de Bemisia tabaci e reduziu a eclosão de ovos em testes de laboratório. A exposição a resíduos secos na concentração de 10 miligramas por mililitro provocou 100% de mortalidade em quatro horas. A concentração letal para 50% dos adultos, no mesmo período, atingiu 1,16 miligramas por mililitro.
Os pesquisadores chineses trabalharam com a espécie críptica MED de Bemisia tabaci, mantida em tomateiro. No ensaio com folhas tratadas, a mortalidade após 24 horas chegou a 6% com 0,1 miligrama por mililitro, 37,3% com 1 miligrama por mililitro e 100% com 10 miligramas por mililitro (doi 10.3390/insects17090935).
Via de exposição e efeito
A via de exposição influenciou o efeito. Adultos alimentados durante 24 horas com solução de sacarose contendo 10 miligramas por mililitro de lecitina não apresentaram mortalidade. O resultado aponta predominância da ação por contato nas condições avaliadas. O estudo não mediu a quantidade ingerida e, por isso, não descarta possível atividade oral.
A lecitina também afetou os ovos. O tratamento com 10 miligramas por mililitro reduziu a eclosão de 99,44% no controle para 37,78%.
Exames de tecidos
Análises moleculares identificaram 135 genes com expressão diferencial e 599 características metabólicas alteradas após quatro horas de exposição à concentração letal mediana. As respostas envolveram processos ligados à cutícula, lisossomos, autofagia e metabolismo de aminoácidos. Exames de tecidos mostraram alteração na organização do tecido abdominal e alterações na ultraestrutura celular.
Os pesquisadores não determinaram um alvo molecular único nem um mecanismo definitivo de ação. Os resultados também não permitem extrapolação direta para condições de campo. Estudos futuros precisarão avaliar formulação, persistência, eficiência agronômica e segurança para organismos não alvo.

