
Uma duplicação heterogênea do gene Ccace2 favorece a manutenção da resistência ao malation em populações de Ceratitis capitata. O mecanismo apresentou menor custo adaptativo do que a mutação G328A isolada. O resultado ajuda a explicar a persistência da resistência mesmo após a retirada do inseticida.
Cientistas espanhóis avaliaram dois mecanismos. O alelo R contém a mutação G328A no gene da acetilcolinesterase. O haplótipo RS possui duas cópias de Ccace2: uma mutada e outra sem a mutação. Bioensaios indicaram resistência semidominante nos dois casos.
O genótipo R/R apresentou pior desempenho em características biológicas. O desenvolvimento de ovo a pupa sofreu atraso de cerca de dois dias. O peso de pupas caiu 9,5% em relação ao genótipo suscetível S/S. O genótipo RS/RS apresentou peso de pupa semelhante ao S/S e desenvolvimento intermediário.
Estabilidade genética
A diferença também apareceu na estabilidade genética. Sem pressão de seleção em laboratório, a frequência do alelo R caiu de 68% para 1,4% após 24 gerações. O haplótipo RS caiu de 75% para 9% após 29 gerações.
O acompanhamento de sete localidades da Comunidade Valenciana reforçou o resultado. A frequência do alelo R recuou de 18,6% durante o uso do malation para 4,6% seis anos após sua retirada. O haplótipo RS variou entre 5,4% e 10% no mesmo período.
Um modelo evolutivo também atribuiu maior custo adaptativo aos genótipos portadores do alelo R. Nas simulações de eventual retorno do malation, maior exposição e maior número de aplicações aceleraram a seleção de resistência. O genótipo RS/RS tornou-se predominante nos cenários associados à perda de controle (doi 10.1002/ps.71269).
