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Mercado Agrícola – 8.set.2026


Mercado Agrícola - 8.set.2026

As tensões internacionais, a redução da oferta de grãos em importantes países produtores e o ritmo das exportações brasileiras mantêm suporte às cotações agrícolas no início de setembro. A crise entre Irã e Estados Unidos mantém o petróleo Brent próximo de 100 dólares por barril. O movimento favorece os óleos vegetais. Óleo de soja, palma, girassol e canola recebem pressão de alta. A guerra entre Rússia e Ucrânia também sustenta o trigo em Chicago, com contratos acima de 7 dólares por bushel.

No mercado de soja, as atenções permanecem sobre a safra dos Estados Unidos. Quase 20% das lavouras entraram em maturação. A condição das áreas indica uma safra regular. O tamanho final da produção ainda gera dúvidas. O mercado aguarda nova projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

O clima norte-americano apresenta chuvas parciais e ausência de extremos relevantes de temperatura neste momento. A evolução das lavouras reduz o espaço para mudanças expressivas no potencial produtivo durante a etapa final do ciclo.

Ao mesmo tempo, o mercado começa a acompanhar o plantio da soja no Brasil. A liberação do vazio sanitário em várias regiões permitirá avanço das semeaduras nos próximos dias. A expectativa apresentada no comentário aponta área próxima ou superior a 50 milhões de hectares. Esse volume representaria novo recorde de plantio.

A comercialização da safra brasileira atual alcança cerca de 80,5%, ante média histórica de 82,5%. Aproximadamente 35 milhões de toneladas permanecem nas mãos dos produtores. As vendas ganharam ritmo nas últimas semanas.

Na safra nova, cerca de 37% da produção projetada já passou por negociação. A média histórica para o período varia entre 38,6% e 39%. O volume comercializado aproxima-se de 70 milhões de toneladas. No mesmo período do ciclo anterior, o volume chegava a 69,5 milhões de toneladas.

A alta dos contratos em Chicago, acima de 13 dólares por bushel em diferentes vencimentos, estimulou negócios antecipados. A estratégia permite ao produtor reduzir a necessidade de vendas durante março e abril. Esses meses concentram oferta elevada e costumam registrar pressão nos prêmios dos portos.

As exportações brasileiras também dão sustentação ao complexo soja. Em agosto, o país embarcou 9,8 milhões de toneladas de soja, contra 9,5 milhões de toneladas no mesmo mês do ano anterior. O volume marcou recorde para agosto. Entre janeiro e agosto, os embarques alcançaram 92,8 milhões de toneladas, ante 86,5 milhões de toneladas no período comparável.

O complexo soja somou 113,2 milhões de toneladas exportadas entre janeiro e agosto. No ano anterior, o volume chegava a 103,7 milhões de toneladas. A China manteve a posição de principal destino da soja brasileira, com mais de 74 milhões de toneladas embarcadas no período.

Situação do milho

No milho, o mercado acompanha a definição da safra norte-americana. Quase 20% das lavouras chegaram à maturação. A produção sofreu mais com o clima em comparação com a soja. As estimativas citadas no comentário apontam redução relevante frente às projeções iniciais.

No Brasil, a colheita da segunda safra ultrapassa 95%. A média para o período alcança 97%. A produção esperada fica próxima de 112 milhões de toneladas. As exportações de milho somaram pouco mais de 4,6 milhões de toneladas em agosto, abaixo das 6,8 milhões de toneladas registradas no mesmo mês do ano anterior. Entre janeiro e agosto, os embarques chegaram a 14,5 milhões de toneladas, contra 15,8 milhões de toneladas no ano passado.

O plantio do milho de verão aproxima-se de 40%. Chuvas recentes atrasaram operações em algumas áreas. O frio também reduziu o ritmo de germinação. Até o momento, não aparecem indicações de perdas provocadas pelas baixas temperaturas. Novas chuvas podem dificultar o avanço da semeadura, principalmente no Sul.

A área gaúcha de milho pode crescer. Santa Catarina e Paraná apresentam poucas alterações. A expectativa inicial considera área brasileira semelhante à do ciclo anterior. O potencial de produção da primeira safra varia de 25 milhões a 26 milhões de toneladas, com possibilidade de chegar a 28 milhões de toneladas sob clima favorável.

Situação do sorgo

O sorgo também ganha espaço. A colheita brasileira alcança cerca de 90%. A produção estimada varia de 7,5 milhões a 8 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, mais de 20% da área já passou pela colheita, mas a condição da safra apresenta problemas. A produção norte-americana pode ficar abaixo de 7 milhões de toneladas. Dados citados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais indicam embarques brasileiros próximos ou superiores a 380 mil toneladas entre janeiro e agosto.

Situação do trigo

O trigo mantém cotações elevadas no mercado internacional. Os contratos em Chicago superam 7,20 dólares por bushel. Posições mais longas para 2027 passam de 7,50 dólares por bushel. Problemas nas safras dos Estados Unidos, União Europeia e Rússia reduzem a disponibilidade mundial. As dificuldades de embarque russas e a guerra na região do Mar Negro ampliam a pressão.

No Brasil, a área de trigo caiu para cerca de 2 milhões de hectares, ante 2,5 milhões de hectares no ciclo anterior. Chuvas, granizo e geadas atingiram lavouras nos últimos dias. O cenário amplia as dúvidas sobre o tamanho da produção. A perspectiva apresentada aponta necessidade de importação superior a 7 milhões de toneladas.

Situação do arroz

O arroz também registra valorização no mercado brasileiro. No Rio Grande do Sul, os indicativos variam conforme região e qualidade do produto. A Fronteira Oeste trabalha na faixa de 80 a 81 reais. Em outras áreas gaúchas, aparecem referências entre 83 e 86 reais.

A projeção do Instituto Rio Grandense do Arroz indica 861,7 mil hectares cultivados no Rio Grande do Sul, com queda de 3,4%. A recuperação recente das cotações pode reduzir o corte de área. No Paraguai, o plantio supera 10% em algumas estimativas. Argentina inicia a semeadura de forma pontual.

Situação do feijão

No feijão, ainda existem áreas em colheita no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Bahia. O carioca nobre varia de 290 a 330 reais por saca. A maior parte dos negócios recentes ocorreu perto de 300 reais por saca. O carioca comercial aparece entre 270 e 290 reais por saca, com concentração das operações próxima de 280 reais.

O feijão-preto também mostra valorização. As indicações citadas variam de 210 a aproximadamente 230 reais por saca. A expectativa de novas compras por empacotadores pode sustentar o movimento de reposição no mercado durante os próximos dias.

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