
Pesquisadores da Universidade Mendel, na República Tcheca, identificaram redução significativa de Rhizoctonia solani no solo após aplicação de resíduos triturados de sementes de mostarda-branca (Sinapis alba). A biofumigação reduziu em cinco vezes a quantidade de DNA do fungo em casa de vegetação. No campo, a redução variou de três a 13 vezes.
O fungo provoca rizoctoniose na batata, com necrose de hastes e estolões, atraso na emergência e formação de crostas escuras nos tubérculos. Infecções intensas comprometem o desenvolvimento das plantas e reduzem a produtividade.
Dois experimentos
Os cientistas conduziram dois experimentos independentes com batata da cultivar Red Anna. Ambos utilizaram solo inoculado com Rhizoctonia solani. O primeiro ocorreu em casa de vegetação, com aplicação de aproximadamente 10 gramas de resíduos de mostarda por litro de substrato.
O segundo experimento ocorreu em campo, durante 2024. Os tratamentos receberam 5 mil ou 10 mil quilogramas de resíduos triturados por hectare. Parcelas sem aplicação de mostarda serviram como controle.
Amostras de solo
Após 90 dias, os pesquisadores coletaram amostras de solo. A técnica de PCR quantitativa permitiu determinar a quantidade relativa de DNA do patógeno.
Ambas as doses aplicadas no campo reduziram significativamente o DNA de R. solani. Entretanto, a análise estatística não identificou diferenças significativas entre as duas concentrações. A variabilidade das amostras dificultou a avaliação.
A biofumigação utiliza compostos provenientes da decomposição de tecidos vegetais. Nas sementes de mostarda, a hidrólise dos glucosinolatos libera isotiocianatos, substâncias com atividade contra patógenos do solo.
Os resultados indicam potencial da técnica no manejo da rizoctoniose, especialmente em sistemas orgânicos. O estudo avaliou a quantidade de DNA do fungo no solo, sem demonstrar efeitos sobre a produtividade da batata (doi 10.17221/186/2025-PPS).
