
O avanço do etanol de milho amplia a demanda pelo cereal no Brasil e impulsiona investimentos em genética, pesquisa e desenvolvimento. O aumento do milho destinado à produção de biocombustível também eleva a busca por produtividade e eficiência no campo.
O movimento foi destacado pelo consultor André Aguirre Ramos (na foto) e por Cristian Rafael Brzezinski, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento Global da GDM, na área de milho e sorgo, durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), em Foz do Iguaçu (PR).
Para Ramos, a expansão do milho reforça a importância de olhar para a qualidade da semente. Em outra frente, a GDM amplia sua estrutura de pesquisa para acompanhar o crescimento do mercado.
Segundo o consultor Aguirre, a produtividade do milho resulta da combinação entre genética, manejo e ambiente, e a semente ocupa uma posição central nessa equação. Pureza, qualidade genética, vigor e germinação são, na avaliação dele, atributos fundamentais para garantir o estabelecimento uniforme da lavoura e permitir que a planta expresse o potencial desenvolvido pelo melhoramento genético.
A qualidade, porém, tem um custo. Ramos destacou que a produção de sementes de alto padrão exige investimentos das empresas, mas pode retornar ao produtor na forma de maior produtividade e rentabilidade, especialmente em um cenário de custos elevados.
Etanol muda o cenário do milho
Na avaliação do consultor Aguirre Ramos, nos últimos três anos, o milho ganhou importância econômica e, em determinadas situações, chegou a apresentar maior rentabilidade que a soja, favorecendo produtores que trabalham com as duas culturas.
Esse cenário também está provocando uma movimentação na indústria de sementes. A GDM ampliou sua atuação em milho após as aquisições da KWS e da AgReliant Genetics, realizadas nos últimos dois anos. A estratégia, segundo a empresa, fortaleceu sua presença no mercado nacional, sul-americano e mundial e acelerou os investimentos em novas tecnologias para a cultura.
Atualmente, cerca de 12% do faturamento da empresa é reinvestido em pesquisa e desenvolvimento em milho. A aposta acompanha o crescimento da demanda interna: de acordo com a apresentação feita no congresso, o número de plantas de etanol de milho no país aumentou entre 50% e 60% nos últimos dois a três anos.
Com mais milho sendo destinado às usinas, o consumo interno cresce e abre novas perspectivas para a cultura. “O efeito chega também ao mercado de sementes, que passa a exigir materiais mais adaptados às diferentes condições de produção e capazes de entregar maior desempenho no campo”, afirma Cristian.
Pesquisa ganha estrutura
Para sustentar essa expansão, a GDM também está investindo em uma unidade em Petrolina (PE). O projeto, iniciado há cerca de três anos, deverá concentrar atividades de pesquisa e reunir a base genética da empresa, incluindo cruzamentos e geração e desenvolvimento de linhagens que posteriormente abastecerão programas de melhoramento em diferentes regiões.
A estratégia, no entanto, não representa uma mudança de foco da soja para o milho. A empresa afirma que mantém os investimentos nas duas culturas. “O mesmo foco que colocamos em soja, colocamos em milho”, destacou o representante da GDM.
